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Université Toulouse-Jean Jaurès (Toulouse II-le Mirail)

Entretien avec Ondjaki, écrivain angolais


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Entretien avec Ondjaki, écrivain angolais

En octobre 2011, l'écrivain angolais Ondjaki était invité par le département de portugais de l'Université Toulouse-Le Mirail (Toulouse, France). Il répond aux questions des étudiants et de deux enseignants de portugais,Teresa Cristina Duarte-Simoës et Marc Gruas.
Ondjaki apporte un éclairage singulier sur son œuvre littéraire, d'expression portugaise, et sur ses influences artistiques.

 

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CARLOS MÉRO 29/05/2012 12h26

ONDJAKI EM TOULOUSE

Carlos Méro

Ndalu de Almeida, ou melhor, ONDJAKI, poeta, contista, novelista e roteirista cinematográfico brotado em Luanda e hoje vivente no Rio de Janeiro, foi provocado e ouvido por mestres e alunos da Universidade de Toulouse – Le Mirail, ao curso de entrevista que, no dia 20 de outubro de 2011, cedeu aos Professores Teresa-Cristina DUARTE-SIMÕES e Marc GRUAS.
E foi quando afirmou, com todas as letras, pausas e acentos, que, ainda quando se debruça sobre fatos colhidos no mundo concreto, jamais se enxerga acorrentado a servil ancoramento na plena idoneidade dos fatos narrados, pois que o seu compromisso, enquanto ficcionista, é com o como dizer o que carrega na memória, sem qualquer receio aos vôos da imaginação.
No que está coberto de razão, eis que incontroverso que a ficção literária, por natureza não confundível com as dissertações de raiz histórica, nada deve em fidelidade à verdade real, pelo que, não raro ou quase sempre, mestiça, sem a mais mínima cerimônia, constatações e divagações, evidências e fantasias, no afã da construção de tramas e de cenários verossímeis ou até delirantes.
Lembre-se que chegou a declamar Joanot Martorell (1413-1468), no seu Tirant lo Blanc, que a então Infanta de França, de tão alva e transparente a sua pele, tinha visível aos circundantes o vinho que se lhe escorria pela intimidade da garganta.
Já Juan Rulfo (1917-1986), embalado pelo devaneio que dá corpo ao seu antológico Pedro Páramo, dá certeza de que mortos dialogam no soturno cemitério de Comala, cada qual acomodado no ventre da sepultura que lhe guarda os despojos.
Mas nem porque a ficção caminha sobre trilha de confessa afeição ao mundo do livre exercício criativo, deixa de por vezes edificar o aparente no concreto, o imaginado no vivido, o sugerido no comprovado, ao impulso da eloquência do relato e confiante na vulnerabilidade emocional do receptor da mensagem.
Lembra Vargas Llosa, aliás, que os cadetes do Colégio Militar Leoncio Prado lhe incineraram o seu primeiro romance (A Cidade e os Cachorros), ao argumento de que enodoador, por seu conteúdo, da reputação da entidade. E ainda que a sua primeira esposa, incomodada por se acreditar caricaturada em um seu outro romance (Tia Júlia e o Escrivinhador), chegou a publicar livro em que pretendeu restaurar a imagem que tinha por certo fora ali arranhada.
E nisso até pode influir transformadoramente, o que se deu, por exemplo, com o romântico e trágico Os Sofrimentos do Jovem Werther, obra ficcional de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), que, de tão convincente, modificou a visão de mundo da mocidade vivente nos finais do século dezoito, a tantos encaminhando à enfermidade e a muitos remetendo ao suicídio, todos torturados por paixões esmagadas pela indiferença ou trituradas pelo irrealizável.
Frequentar livros é frequentar mundos, também já o disse ONDJAKI.
E, no caso da ficção, mundos edificados pela sensibilidade e pelo gosto pela beleza do discurso, donde nela, indiferentes a qualquer réstia de constrangimento, abraçarem-se verdades e mentiras, conforme revela Vargas LLosa.
 

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